Sempre me soube perder. Pois acabava por me encontrar.
Por mais que ao longe fosse já pequeno o meu abrigo, tornava para ele assim que anoitecíamos.
Marcava o caminho com recordações nossas, para que me alumiassem o retorno à realidade.
Mas já não me encontro.
Estou na nossa realidade paralela de portas, janelas e fendas fechadas por mim.
As recordações fundiram-se com o tempo, como a lâmpada do corredor.
Deixa-me ficar prisioneira de nós. Só mais um instante ou mil.
Contigo aprendi a perder-me sem me querer encontrar.