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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Deixa-me Calar-te Isto

Está frio. Preocupa-me que tenhas frio. Tens frio?
Sinto a necessidade de me colocar estas perguntas sobre ti. Formulo-as e tento responder-lhes em teu lugar.
Há semanas em que procuro dias. Dias que me sirvam de desculpa para te telefonar. “Liguei só para te desejar um bom dia dos frutos secos”. Construo, desconstruo e reconstruo um motivo para te ouvir.
Para perceber se as tuas palavras ainda sabem a café e tabaco.
Para confirmar se as tuas frases ainda se alinham a uma velocidade estonteante e acabam com um “certamente”.
Preciso de te saber. Que fazes? Com quem te dás? Onde paras? Para onde vais quando queres falar contigo? Que música tens ouvido? Os canais de notícias ainda são o teu barulho de fundo quando não há pássaros?
As perguntas não se esgotam. Multiplicam-se com os dias. Deixei de os contar. Dói menos se pensar que ouvi de ti ontem.
Além disso, estás sempre presente. Há coisas que são tuas sem que saibas, sabes? Músicas, filmes, frases, momentos, noites que não acabam. Tanta coisa passeia pedaços teus. Nenhuma me traz as respostas.
Preciso delas. Ou de ti. Não sei. Não to vou dizer.
Tinhas essa particularidade de me descarrilar as certezas. As que tinha erguido até então, via-as ruir no momento em que te conheci.
Remexeste-me as entranhas e os pilares. Fizeste do meu passado pó soprado ao vento.
Foste-me espelho, que eu nunca me tinha enxergado. Não é que estivesse perdida, mas precisava de ser encontrada por ti.
Era outra. Tinha-me feito outra porque teimei não querer ser eu. Teimas minhas, já conheces. Continuo a duvidar da História que vem nos livros.
Bem, acredito que foi para isso que tu apareceste. Para me mostrar quem eu era, de que era feita e quem poderia vir a ser.
Olho para ti como um passado que se quis futuro e acabou por galgar o presente.
Vais apanhar-me à chegada. Sei que quando estiver para terminar a minha viagem, tu estarás lá para me ajudar com as malas que carregarei, ainda, de sonhos.
Viajar sem ti tem as suas coisas boas. Posso cantar alto. Posso chorar alto. Posso gritar contigo.
Tenho gritado muito contigo. Tiras-me do sério quando vasculho as minhas memórias. A propósito, estão cheias de ti, necessito de apagar algumas. Não sei quais escolher, tens sugestões? Ainda guardas as tuas cópias delas?
Apago as boas? As más? Quais me farão esquecer-te? Lembrar-te? O que quero?
Vês? Continuo a disparar perguntas que não vão ter respostas. A cuspir cartas que nunca te vou enviar.

Sim, vou continuar a viagem. Espero que não tenhas frio.

domingo, 24 de novembro de 2013

Só de ti.

Nas voltas, promete que voltas.
Continuo cá não por estar à tua espera, mas por não saber onde procurar-te.
Encontro-me de novo em ti e sei que me voltarei a perder. De mim.
Sempre assim foi. 
Nunca te soube largar o coração. Como tu me sabias largar a mão.
Foste-me sonho e realidade. Céu e chão. Abismo e ponte. Riso e lágrima. Tudo ou nada.
Foste tudo o que pudeste para me fazer desmesuradamente feliz. Continuadamente arruinada.
Mas era isso que apreciava em ti.
Os pólos da paixão.
Nunca um dia se repetiu. Assim como nunca se repetirá.
Quero que fiques mais tempo desta vez. 
Não hei-de acordar.
Juro.
Rouba-me os meus dias.
Devolve-me as noites tuas.
Leva-me a vida, mas dá-me uma eternidade de ti.
Só de ti.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Sol.

Havia em ti uma esforçada vontade de me ver sentir a tua falta.
Sempre te disse que fazer falta era algo que se fazia por pouco tempo.
Não se pode fazer falta a vida inteira.

Como se faz amor.

Quiseste-te baloiçado na minha entrega.
Eu dava-me. Inteira. Melhor.
A ti.

A ti.
Que nos pariste e mataste.
Na mesma noite.


Não mereces o meu amanhecer, disseste.

O teu sol fui eu, disse. 

domingo, 19 de agosto de 2012

Sempre.

Até chorámos o passado que já podíamos ser.
Até fomos um, não sei se ontem, se sonho.
Até nos quisemos encontrar amanhã.
Até fomos palavra, verbo, palavras, verso.

Até sempre.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sonho meu.

Já te devia ter escrito.
Afinal já houve entre nós tantas despedidas.
E as cartas são para o adeus.

Mas nunca chegámos a partir.
Não sabemos o caminho que nos levou a nós.
E desconhecemos como voltar ao antes.

Houve antes?
Não se apagaram todas as memórias quando deixámos o mundo dos outros,
Para ficar no mundo que somos?

Não foi toda a nossa vida desencontro agora que nos encontrámos?
Foi antes vida a nossa agora que a vivemos os dois?

Sabes de mim como se me tivesses sonhado estes anos todos e apenas nesses sonhos tivesses sido.
Sei de mim agora porque só agora sou.

E de todos tu.
E dos ontens nada.
E o hoje teu.
E o amanhã nós.
E eu sempre tua.

domingo, 6 de novembro de 2011

Dores D'alma

Coseram-me.
Com o fio do meu pensamento.
Os meus ontens.
Os meus amanhãs.
As minhas outras.
Coseram-nos.

Com a linha dos meus sonhos.
Coseram-me as noites de lua cheia.
O brilho dela nos meus olhos.
O brilho de meus olhos.
Os meus olhos.

Com a agulha e o dedal da solidão.
Coseram-me os gritos.
Os meus choros aflitos.
Os meus risos.
E os passos que me levavam.
De mim para outros.
Braços.

Coseram-me em mim.
Daqui não fujo. Aqui não me perco.
De mim não saio.

domingo, 19 de junho de 2011

Íris.

E esses raios de sol em teus olhos bastam para alumiar as vielas escuras em mim e os caminhos que meus pés trilham para me levar de mim para outros lugares que só nós sentimos porque dentro de nós moram todos aqueles que ainda vamos ser enquanto um em sonhos e na poesia que ela irá ler pois aqui há-de ser espelho da mãe.

sábado, 23 de abril de 2011

Beleza do Excesso.

Abraça-me. Dizes que nesses abraços apertados me sentes a alma.
Há em nós essa beleza do excesso.
Peço-te um beijo para te ver os sonhos.
Pegas-me na mão para vagueares em mim.

Fecha os olhos. Dizes-me.
Vamos para longe.
Dos outros e daqueles que não queremos ser.
Voltamos quando quisermos que em nós more a saudade.

Como todos os amores para sempre, o nosso também há-de ser lembrança.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Escreve-me.

Volveram-se eternidades em nós.
Não mais te escrevi.
Não quis.
Que pelas minhas palavras me notasses os olhos baços.

Sei que num canto de ti mora ainda aquela poeira.
Do nós que não chegámos a construir.

Escrevo-te hoje para me lembrar.
Que meus olhos estão baços.
Porque te dei o seu brilho.
Num dos nossos encontros.
De almas.

Devolve-me.
O brilho.

Escreve-me.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Amanhecer.

Apenas te quero do lado de cá da estrada.
Do muro.
Da porta.
Dos meus olhos.
Dentro deles.

E eu inteira somos nós.

Peço-te apenas que fiques.
No virar das paginas.

E no final...

Apenas quero que sejas.

sábado, 30 de outubro de 2010

Casa do sonho.

Ela ainda lá vive.
Ele não mais lá voltou.
Diz-se que ele lhe levou as chaves.
Diz-se que ela se trancou.
Ela ainda lá vive.
Ele não mais lá voltou.
São hoje pó de paixão.
Que a solidão amontoou.

Ela ainda lá vive.
Ele não mais lá voltou.

Talvez ele tenha partido na busca de tecto.
Talvez ela tenha ficado à procura de chão.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Desencontro.

Espero-te para calares o grito mudo de solidão que sou.
Espero pelas tuas mãos para nascer de mim.


Desencontro de almas que assim se querem para viverem sempre a procurar-se.

sábado, 2 de outubro de 2010

Um adeus por dizer.

Já brotaram muitos outros de nós depois do nós que não tivemos força para ser.

Pensei que os brilhos da noite se tinham finado contigo aos meus olhos, mas a luz da noite não se apaga.
Nem a de meus olhos.
E de tantas palavras, escolhi a luz deles para te falar no adeus.

Mas os teus olhos já não ouvem os meus.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Jardim.

Já não te escrevo.
Estas palavras não são minhas.
De agora.
São de outra.
Que floriu e murchou nesse jardim, que não cuidámos na frente da nossa casa, daquele sonho que fomos.
De outrora.


Silêncios em folhas brancas soltas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Noite.

Nessa noite, chorámos todas as noites de solidão noutros, nunca tínhamos sido, antes dessa noite, mas não sabíamos porque não nos sabíamos. As estrelas, tecto, testemunharam as juras de amor, seladas com o laçar dos corpos e o baloiçar dos sonhos, porque nessa noite o bater dos corações foi-nos a mais bela das melodias.

Nessa noite estive contigo dentro de mim e os nossos olhos são hoje os olhares que nessa noite trocámos e a nossa boca só sabe aos beijos que nessa noite demos.

A eternidade deste amor fez-se e desfez-se nessa noite, porque há amores eternos que são só sonho.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

As chuvas de Verão.

Os primeiros raios de sol.
A lua cheia.
As chuvas de Verão.

O arrepio.
O suor.
O rubor.

A pele dela.

Só na pele dele são belos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O beijo.

Beijou-o no fim.
Do abraço.
Deles.
Da canção.
Deles.
Da estrada.
Deles.
Da noite.
Deles.
Do sonho.
Deles.
Beijou-o no fim.
Deles.
Porque era o que ela fazia.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Arcaísmos.

Estavam cobertas de pó as palavras que fui hoje arrancar ao coração para te chorar.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ser música.

Com poucas palavras, a despedida.
Talvez se queiram mesmo assim, por não se quererem.
E ela sempre gostou mais dos sussurros dos olhos do que das gritarias da boca.

Ainda deram as mãos, queimavam um no outro, logo se largaram.
Os corpos ali eram mobília, a única naquele nada parido de um adeus.
Eles eram mais, laços d’almas. Foram até música.

Mas ele cedo lhe disse que tudo devia finar antes de chegar o fim de tudo.

sábado, 10 de julho de 2010

As cartas.

Meu ontem,

Sinto-me feia. Deixei de encarar o espelho.
Estou velha. Gasta.
Sou pó do que fui. Sombra.
Os meus lábios já não cantam. O meu corpo já não dança. Os meus olhos enegreceram.

Creio até ter deixado de sonhar.

Meu hoje,

(...)