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domingo, 14 de março de 2010

Ladra

Precisava de pó de fada, tinha desejos por realizar. Multiplicavam-se sempre que lhe sentia o cheiro, não o do frasco, o da pele.

Queria fazer uma troca com ele, um deserto de beijos por um mar de abraços.

Tornou-se ladra, por ele.
Roubou todas as fadas do mundo, o lugar mais bonito do mundo, que é fora dele, e o tempo.

Esqueceu-se de roubar o coração, dele.

sábado, 13 de março de 2010

Fato colorido

Abriu as suas asas e decidiu que sobrevoaria o mundo em dias de sol.
Vestiu-se das cores do arco-íris e pôs o seu maior sorriso como adorno.

Queria que as pessoas, pequeninas e tristes lá em baixo, a notassem.

Porque nela estava a felicidade.
Porque acreditava que podia mudar vidas sendo feliz e sobrevoando o mundo.
Que o cinzento da realidade não vencia o seu fato colorido.

Mas (quase) ninguém olha prara o céu. Já (quase) ninguém olha para o céu.

Só os apaixonados olham para o céu.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

É como se me tivessem arrancado o coração

Ser feliz depende de tanto.
É um trilho ainda pouco pisado e quase ninguém o percorre na totalidade.
Se calhar, aqueles que chegam ao fim da senda, descobrem algo tão maravilhoso que se sentem cobertos de um egoísmo tamanho que os leva a não partilhar a experiência com ninguém.


Posto isto, estou miseravelmente infeliz.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Obras

Trazias um sorriso nos lábios e cheiravas bem.
Decidiste no teu íntimo que me irias surpreender e assim o fizeste.
O brilho dos meus olhos estava capaz de iluminar todas as casas no oeste do país.
Trocámos mimos, e mimos é bom.
Minimizar danos, enxaquecas e vertigens faz parte da tua profissão no meu mundo interior.
Danos por ti ou por mim causados.
Enxaquecas de estudo frustrado ou daqueles dias em que me apetece chocolate e batatas fritas.
Vertigens dos meus abismos ou dos desafios que a vida me coloca.
Gosto de deitar a baixo e construir de novo.
E depois, ter um edificio com melhores alicerces.
Anda para a nossa nova casa, está linda.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um Natal assim-assim

Desilusões,discussões e talvez um ponto final.
Poucos sorrisos, poucos risos e zero gargalhadas.
Com o desenrolar dos tempos acostumei-me ao mais ou menos em quase tudo na vida mas creio ser menina para bom e muito bom.
E desbravarei (também) os terrenos que me levem à excelência.
O amor é um suceder de tropeções, uns de rasgar os joelhos e cotovelos, outros de rasgar, para sempre, o coração, mas há-de haver sempre alguém que me levante do chão e me sare as bubas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Uma questão de chaves.

Há pessoas que não cessam de me parar à porta, batem, batem e jamais conseguirão invadir-me.
Bem que arremessam pedrinhas à janela, mas dependendo da pedrada (pode partir), a maioria das investidas é vã.
Há também aqueles que, tocando a campainha, ou dando três pancadinhas, eu deixo entrar.
Deixo que me visitem, exigindo sempre marcação prévia.
Por fim há aqueles que já detêm a chave.
Entram e pronto.
Vagueiam dentro de mim como exploradores, remexem-me a alma e as crenças.
Mas...a chave que usam para entrar, é a mesma da qual abusam para sair.