domingo, 25 de abril de 2010

Abelha

Tenho polinizado novas gentes.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um punhado de tempo com os olhos dele lembrou-a que, porventura, sempre se terá sentido em circulo e que todas as esquinas do seu coração, estavam, até então, ao pó do abandono.

sábado, 17 de abril de 2010

Todos os espelhos lhe mostram que não é sem ele.

Todos os centímetros de pele lhe suplicam a pele dele.

Todos os piscares de olhos lhe amparam uma lágrima por ele.

Todos os batimentos lhe evocam a espera por ele.

Todos os passos lhe lembram a longa escadaria até ele.

Todos os dias morrem para as noites serem dele.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gritos, cá dentro

As vontades gritam.
Não sussurram, não conversam, gritam.
Muitas vezes as tenta abafar a razão, mas esta não entra em discussões e acaba quase sempre derrotada a um canto de nós.
De lá do fundo, o grito vem ecoar nas nossas acções. O corpo deixa de ser nosso.


Um beijo emudece o grito.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Medo

Sei que estás do lado de lá, mas o risco de cair é grande.
Nunca tive muita agilidade e a minha mãe nunca me ensinou a fingir coragem.

Repara bem no tamanho do salto!

Precisas de tentar, eu estou aqui e não vou deixar que caias no abismo. Esse abismo não é nosso, é teu, doutras quimeras.

Vou confiar em ti.

Olha, já não há abismo, agora há uma ponte.
Quer dizer que as nossas vidas vão estar unidas para sempre?
Não, só já não há abismo. Vais continuar a ter medo de atravessar a ponte.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Lado de fora

Que o destino nos cruze as histórias mil vezes mil vezes num dia.

Que o tropeção das vidas no virar da esquina seja nosso.

Que os meus pensamentos se vendam todos aos teus olhos.

Que a vida te pouse no meu ombro para também te trazer comigo do lado de fora.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A fuga

Há uma soma de sete dias começou a dizer que o mundo que pisava não era o que lhe havia sido destinado.

Loucura. Tanta gente pisa o mesmo chão e há até quem consiga ser feliz de tempos a tempos.

Murmurava que a demência estava nas suas cabeças, não na dela. Se tanta gente pisa o mesmo chão é porque capazes não são de idealizar um outro, ou porque é aquele o chão que deveras merecem.

Reconhecia-se noutro mundo, com outras pessoas e a pisar outro chão.
Mudou-se.


Diz-se que lá há pouca gente e até chão que ainda não foi pisado.