sexta-feira, 4 de junho de 2010

Monólogo

Preciso de viver incompleta, metade.

Arrancar-te...

Do lado de dentro, entranhas do meu ser, coração, alma.
Do lado de fora, pele, àgua salgada, suor e lágrimas.


Porque...

Já apagaste os trilhos e os brilhos que te levavam a nós.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Conclusão nossa.

Deviamos ter dado laços onde fizemos nós.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A brisa que te trouxe, o vendaval que te levou.

Já sentia a tua falta. Antes de te conhecer.
Andávamos perdidos em vidas de outros.

Quando tropeçámos em nós...senti-te o cheiro da saudade. De longe e ao perto.

Espero que me continues a encontrar, na noite, ou escuridão de nós.

Não tivemos um chão de pedra, sempre caminhámos em chão de estrelas.
Não chegámos a ter tempo, a ser pequenos como os outros, lá em baixo.

De ti, só saudade e vertigem.

domingo, 23 de maio de 2010

Dóis-me.

Dóis-me tanto.

sábado, 22 de maio de 2010

Porta

Não foi preciso bateres.
Já te tinha pedido nos sonhos.
Senti-te a chegar várias vezes, várias vezes me enganou o arrepio.
Acabaste por vir e eu já com a porta aberta.

Esqueci-me de te fechar em mim.

Continuo a pedir-te nos sonhos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

De dia não se gasta.

Vagueia pelas ruas de dentro e de fora.
Tem o corpo e a alma dormentes.
De dia não se gasta.

Guarda-se para as noites, porque as noites são para ele.
Ele leva-a sempre pela mão e para longe. Não dali mas deles.
Guiam-nos o brilho dos olhos dela e nunca se perderam.

Dizem-se sós, destapam a fraqueza.
Esquecem o ontem.
Ela larga-se no colo dele.
E o futuro é tão presente.


Não fugiram mais.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Diálogos

A ver os céus:

Olha olha, hoje não há estrelas.
Claro que há, tu é que não as vês.

O que acontece quando se deixa de ver as estrelas?
Não sei bem, mas sei que não é bom.
E se eu as pintar?
Não saberias.
E se eu sonhar com elas?
Não são tão belas nos sonhos.

Que faço agora? É que eu só as vejo em ti.

Agora beijas-me.

domingo, 9 de maio de 2010

Despede-te!

Leva-me outra vez àquele lugar dentro de nós.

sábado, 8 de maio de 2010

Isto aqui são gritos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lição.

Sempre me soube perder. Pois acabava por me encontrar.
Por mais que ao longe fosse já pequeno o meu abrigo, tornava para ele assim que anoitecíamos.
Marcava o caminho com recordações nossas, para que me alumiassem o retorno à realidade.
Mas já não me encontro.
Estou na nossa realidade paralela de portas, janelas e fendas fechadas por mim.
As recordações fundiram-se com o tempo, como a lâmpada do corredor.
Deixa-me ficar prisioneira de nós. Só mais um instante ou mil.

Contigo aprendi a perder-me sem me querer encontrar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Despedida

os nossos olhos brilhantes,
os nossos olhos nuns olhos,
nesses olhos um abrigo,
nos nossos olhos o fim da procura da vida,
porque nesses olhos nós e nos nossos olhos nós,
nesses olhos o arco-iris e o céu e o mar e a terra e o mundo,
nos nossos olhos o espelho,
nesses olhos o passado o presente e o futuro,
nos nossos o fogo, a fogueira, a chama,
nesses olhos a água, a chuva e a lágrima
porque nos olhos o adeus.

sábado, 1 de maio de 2010

Esquizofrenia

Chega. Não basta.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Segredo

Parar o tempo, fazer-se sonho e mexer-lhe o corpo. Habilidades dele. Ele que é dono do brilho dos olhos dela, mas não sabe. Ele que sem saber está nas gotas da chuva, nas gotas de choro e nas gotas de suor.
Ele que é cantado nas músicas e contado nas poesias e tal desconhece.
Ele que desconhece estar em todos os intervalos e entrelinhas.
Ele, o sussurro, o suspiro, o segredo.

domingo, 25 de abril de 2010

Abelha

Tenho polinizado novas gentes.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um punhado de tempo com os olhos dele lembrou-a que, porventura, sempre se terá sentido em circulo e que todas as esquinas do seu coração, estavam, até então, ao pó do abandono.

sábado, 17 de abril de 2010

Todos os espelhos lhe mostram que não é sem ele.

Todos os centímetros de pele lhe suplicam a pele dele.

Todos os piscares de olhos lhe amparam uma lágrima por ele.

Todos os batimentos lhe evocam a espera por ele.

Todos os passos lhe lembram a longa escadaria até ele.

Todos os dias morrem para as noites serem dele.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gritos, cá dentro

As vontades gritam.
Não sussurram, não conversam, gritam.
Muitas vezes as tenta abafar a razão, mas esta não entra em discussões e acaba quase sempre derrotada a um canto de nós.
De lá do fundo, o grito vem ecoar nas nossas acções. O corpo deixa de ser nosso.


Um beijo emudece o grito.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Medo

Sei que estás do lado de lá, mas o risco de cair é grande.
Nunca tive muita agilidade e a minha mãe nunca me ensinou a fingir coragem.

Repara bem no tamanho do salto!

Precisas de tentar, eu estou aqui e não vou deixar que caias no abismo. Esse abismo não é nosso, é teu, doutras quimeras.

Vou confiar em ti.

Olha, já não há abismo, agora há uma ponte.
Quer dizer que as nossas vidas vão estar unidas para sempre?
Não, só já não há abismo. Vais continuar a ter medo de atravessar a ponte.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Lado de fora

Que o destino nos cruze as histórias mil vezes mil vezes num dia.

Que o tropeção das vidas no virar da esquina seja nosso.

Que os meus pensamentos se vendam todos aos teus olhos.

Que a vida te pouse no meu ombro para também te trazer comigo do lado de fora.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A fuga

Há uma soma de sete dias começou a dizer que o mundo que pisava não era o que lhe havia sido destinado.

Loucura. Tanta gente pisa o mesmo chão e há até quem consiga ser feliz de tempos a tempos.

Murmurava que a demência estava nas suas cabeças, não na dela. Se tanta gente pisa o mesmo chão é porque capazes não são de idealizar um outro, ou porque é aquele o chão que deveras merecem.

Reconhecia-se noutro mundo, com outras pessoas e a pisar outro chão.
Mudou-se.


Diz-se que lá há pouca gente e até chão que ainda não foi pisado.