quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Libelinha.

Acordamos apertados noutros braços hoje.
Mundo.
Chão.
Casa.

Mas sonhamos num colo onde nos largámos ontem.
Vazio.
Estrelas.
Rua.

Ela sempre se quis libelinha.
A paixão deu-lhe as asas.
Ele ensiná-la-á a voar amanhã.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O medo.

Sobejo dos poucos ontens, roubou-nos todos os amanhãs.

sábado, 4 de setembro de 2010

Endiabrada!

Fujo assim, na vassoura, de mim. Na mão a mala que não fechou com tantos fantasmas, nos ombros os dois diabos, no bolso o livro negro dos recortes de vidas que deixei por viver, no corpo as chagas que não sarei para te lembrar.


Há feitiço nos meus olhos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Jardim.

Já não te escrevo.
Estas palavras não são minhas.
De agora.
São de outra.
Que floriu e murchou nesse jardim, que não cuidámos na frente da nossa casa, daquele sonho que fomos.
De outrora.


Silêncios em folhas brancas soltas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tarefa.

Com um toque quero que me toques toda, me leves toda, que nunca mais me tragas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Noite.

Nessa noite, chorámos todas as noites de solidão noutros, nunca tínhamos sido, antes dessa noite, mas não sabíamos porque não nos sabíamos. As estrelas, tecto, testemunharam as juras de amor, seladas com o laçar dos corpos e o baloiçar dos sonhos, porque nessa noite o bater dos corações foi-nos a mais bela das melodias.

Nessa noite estive contigo dentro de mim e os nossos olhos são hoje os olhares que nessa noite trocámos e a nossa boca só sabe aos beijos que nessa noite demos.

A eternidade deste amor fez-se e desfez-se nessa noite, porque há amores eternos que são só sonho.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Piscar de olhos metafórico.

Senti-os arder. Fechei-os. Abri-os. Passou o ardor.

(...)