sábado, 30 de outubro de 2010

Casa do sonho.

Ela ainda lá vive.
Ele não mais lá voltou.
Diz-se que ele lhe levou as chaves.
Diz-se que ela se trancou.
Ela ainda lá vive.
Ele não mais lá voltou.
São hoje pó de paixão.
Que a solidão amontoou.

Ela ainda lá vive.
Ele não mais lá voltou.

Talvez ele tenha partido na busca de tecto.
Talvez ela tenha ficado à procura de chão.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Desencontro.

Espero-te para calares o grito mudo de solidão que sou.
Espero pelas tuas mãos para nascer de mim.


Desencontro de almas que assim se querem para viverem sempre a procurar-se.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Motivos.

Porque o instante do nosso olhar encerra as eternidades dos amores dos outros.

sábado, 2 de outubro de 2010

Um adeus por dizer.

Já brotaram muitos outros de nós depois do nós que não tivemos força para ser.

Pensei que os brilhos da noite se tinham finado contigo aos meus olhos, mas a luz da noite não se apaga.
Nem a de meus olhos.
E de tantas palavras, escolhi a luz deles para te falar no adeus.

Mas os teus olhos já não ouvem os meus.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cronos.

No fim da noite que fomos, fiz-me dia.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Libelinha.

Acordamos apertados noutros braços hoje.
Mundo.
Chão.
Casa.

Mas sonhamos num colo onde nos largámos ontem.
Vazio.
Estrelas.
Rua.

Ela sempre se quis libelinha.
A paixão deu-lhe as asas.
Ele ensiná-la-á a voar amanhã.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O medo.

Sobejo dos poucos ontens, roubou-nos todos os amanhãs.