sábado, 29 de janeiro de 2011

Amanhecer.

Apenas te quero do lado de cá da estrada.
Do muro.
Da porta.
Dos meus olhos.
Dentro deles.

E eu inteira somos nós.

Peço-te apenas que fiques.
No virar das paginas.

E no final...

Apenas quero que sejas.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Encontro.

Leva-me os outros que tive e as outras que fui.
Faz-me.
Não sonhes comigo.
Bebe-me.
Não deixes que em mim more o tédio.
Deixa-me padecer de nós.
Não me largues solta.
Sufoca-me de ti.

Não procures mais.
Olá.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sem título.

Já não te sei dizer de mim.
Esqueci-me de ser no entretanto do adeus.
Adeus antes do tempo.
Como os dos outros.
Fiz-me sobre nós.
Deixaste-nos ruir.
Do pó nada se ergue.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mensagem.

Sempre me levaram os teus braços, sempre me trouxeram.
Mas imenso se fez o mar da nossa história.
Náufragos, em nós nos perdemos.
De nós nos perdemos.

Nenhum outro amor se quis mar.

Imenso, só o nosso.

Fora de nós.

Que surjas em mim brisa feita vendaval.
Como sussurro em grito.
Lágrima feita pranto.

E, depois, que amaines.
Quero que emudeças.
Que seques.

Quero sentir aquela saudade dos poetas que me cantavas quando amanhecíamos.

E isto assim, eternamente...

Como a rosa murcha.
Como a noite cai.
Como o coração mais forte bate fora de nós.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Palavras.

Quero essas palavras.
Sempre.
Quero a música dessas palavras.
Sempre.
Que me embale a música dessas palavras.
Sempre.
Que sejas meu par e que dances comigo a música dessas nossas palavras.
Para sempre.

domingo, 31 de outubro de 2010

Não ser.

Pobres loucos.
Mendigos de quimeras.
Moribundos na vida dos outros.
Cegos para com as estrelas.
Não são desde a despedida.