sábado, 23 de abril de 2011

Beleza do Excesso.

Abraça-me. Dizes que nesses abraços apertados me sentes a alma.
Há em nós essa beleza do excesso.
Peço-te um beijo para te ver os sonhos.
Pegas-me na mão para vagueares em mim.

Fecha os olhos. Dizes-me.
Vamos para longe.
Dos outros e daqueles que não queremos ser.
Voltamos quando quisermos que em nós more a saudade.

Como todos os amores para sempre, o nosso também há-de ser lembrança.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Escreve-me.

Volveram-se eternidades em nós.
Não mais te escrevi.
Não quis.
Que pelas minhas palavras me notasses os olhos baços.

Sei que num canto de ti mora ainda aquela poeira.
Do nós que não chegámos a construir.

Escrevo-te hoje para me lembrar.
Que meus olhos estão baços.
Porque te dei o seu brilho.
Num dos nossos encontros.
De almas.

Devolve-me.
O brilho.

Escreve-me.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Amanhecer.

Apenas te quero do lado de cá da estrada.
Do muro.
Da porta.
Dos meus olhos.
Dentro deles.

E eu inteira somos nós.

Peço-te apenas que fiques.
No virar das paginas.

E no final...

Apenas quero que sejas.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Encontro.

Leva-me os outros que tive e as outras que fui.
Faz-me.
Não sonhes comigo.
Bebe-me.
Não deixes que em mim more o tédio.
Deixa-me padecer de nós.
Não me largues solta.
Sufoca-me de ti.

Não procures mais.
Olá.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sem título.

Já não te sei dizer de mim.
Esqueci-me de ser no entretanto do adeus.
Adeus antes do tempo.
Como os dos outros.
Fiz-me sobre nós.
Deixaste-nos ruir.
Do pó nada se ergue.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mensagem.

Sempre me levaram os teus braços, sempre me trouxeram.
Mas imenso se fez o mar da nossa história.
Náufragos, em nós nos perdemos.
De nós nos perdemos.

Nenhum outro amor se quis mar.

Imenso, só o nosso.

Fora de nós.

Que surjas em mim brisa feita vendaval.
Como sussurro em grito.
Lágrima feita pranto.

E, depois, que amaines.
Quero que emudeças.
Que seques.

Quero sentir aquela saudade dos poetas que me cantavas quando amanhecíamos.

E isto assim, eternamente...

Como a rosa murcha.
Como a noite cai.
Como o coração mais forte bate fora de nós.