domingo, 6 de novembro de 2011

Dores D'alma

Coseram-me.
Com o fio do meu pensamento.
Os meus ontens.
Os meus amanhãs.
As minhas outras.
Coseram-nos.

Com a linha dos meus sonhos.
Coseram-me as noites de lua cheia.
O brilho dela nos meus olhos.
O brilho de meus olhos.
Os meus olhos.

Com a agulha e o dedal da solidão.
Coseram-me os gritos.
Os meus choros aflitos.
Os meus risos.
E os passos que me levavam.
De mim para outros.
Braços.

Coseram-me em mim.
Daqui não fujo. Aqui não me perco.
De mim não saio.

sábado, 8 de outubro de 2011

Ela quer saber.

Deixa-me dizer-te dela.
Ainda a sabes?

Nada lhe pertence.
Nem ela.

E ela quer ser.
Depois de ti.

Não mais te procurou.
Não mais ouviu a música dos teus lábios.
Não mais ganhou tempo a falar com os teus olhos.
Não mais te deu a mão.

Dentro dela.

Ainda lá vives?

É hora.

E ela quer ser.

Depois de ti.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Vestido.

Vestiu o vestido.
Ele gostava de a ver naquele vestido.
Sussurrou-lho numa troca de olhares.
Vestiu o vestido.
Fazia anos que não se adornava.
Com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos.
Vestiu o vestido.
Afinal, a noite chegara.
Ela ia encontrar-se com ele mais uma vez.
Nos sonhos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ela...

Soube-lhe a alma antes de lhe saber o nome.

domingo, 19 de junho de 2011

Íris.

E esses raios de sol em teus olhos bastam para alumiar as vielas escuras em mim e os caminhos que meus pés trilham para me levar de mim para outros lugares que só nós sentimos porque dentro de nós moram todos aqueles que ainda vamos ser enquanto um em sonhos e na poesia que ela irá ler pois aqui há-de ser espelho da mãe.

domingo, 12 de junho de 2011

Eco.

Grito para que estas palavras se façam eco.
No teu silêncio e na tua inércia.
Sempre caminhaste com mestria no meio das recordações que julgavas serem tuas.
Mas a eternidade do nosso amor desfez-se duas noites volvidas, qual castelo de areia na maré cheia.
Não foi cegueira, julgo, talvez visão turvada pelas lágrimas que viria a chorar por ti.
Antes do tempo, sim.
Antes do tempo te vi a ti quando era outro que queria.

sábado, 23 de abril de 2011

Beleza do Excesso.

Abraça-me. Dizes que nesses abraços apertados me sentes a alma.
Há em nós essa beleza do excesso.
Peço-te um beijo para te ver os sonhos.
Pegas-me na mão para vagueares em mim.

Fecha os olhos. Dizes-me.
Vamos para longe.
Dos outros e daqueles que não queremos ser.
Voltamos quando quisermos que em nós more a saudade.

Como todos os amores para sempre, o nosso também há-de ser lembrança.