sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sonho meu.

Já te devia ter escrito.
Afinal já houve entre nós tantas despedidas.
E as cartas são para o adeus.

Mas nunca chegámos a partir.
Não sabemos o caminho que nos levou a nós.
E desconhecemos como voltar ao antes.

Houve antes?
Não se apagaram todas as memórias quando deixámos o mundo dos outros,
Para ficar no mundo que somos?

Não foi toda a nossa vida desencontro agora que nos encontrámos?
Foi antes vida a nossa agora que a vivemos os dois?

Sabes de mim como se me tivesses sonhado estes anos todos e apenas nesses sonhos tivesses sido.
Sei de mim agora porque só agora sou.

E de todos tu.
E dos ontens nada.
E o hoje teu.
E o amanhã nós.
E eu sempre tua.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fénix.

Estamos sempre à espera de nascer de novo.
Que outros braços nos tragam à vida.
Que outros pés nos ensinem novo caminho.
Que novos olhos nos vejam.
Estamos sempre à espera de nascer de novo.
De nos aprendermos.
De aprendermos o brilho da lua.
De aprendermos o sal das lágrimas.
Estamos sempre à espera de nascer de novo.
Pedintes de paixões.
Mendigos de sonhos.
Indigentes de esperanças.
Estamos sempre à espera que nos encontrem para nascer de novo.
Fénix renascida, eis-me.

domingo, 6 de novembro de 2011

Dores D'alma

Coseram-me.
Com o fio do meu pensamento.
Os meus ontens.
Os meus amanhãs.
As minhas outras.
Coseram-nos.

Com a linha dos meus sonhos.
Coseram-me as noites de lua cheia.
O brilho dela nos meus olhos.
O brilho de meus olhos.
Os meus olhos.

Com a agulha e o dedal da solidão.
Coseram-me os gritos.
Os meus choros aflitos.
Os meus risos.
E os passos que me levavam.
De mim para outros.
Braços.

Coseram-me em mim.
Daqui não fujo. Aqui não me perco.
De mim não saio.

sábado, 8 de outubro de 2011

Ela quer saber.

Deixa-me dizer-te dela.
Ainda a sabes?

Nada lhe pertence.
Nem ela.

E ela quer ser.
Depois de ti.

Não mais te procurou.
Não mais ouviu a música dos teus lábios.
Não mais ganhou tempo a falar com os teus olhos.
Não mais te deu a mão.

Dentro dela.

Ainda lá vives?

É hora.

E ela quer ser.

Depois de ti.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Vestido.

Vestiu o vestido.
Ele gostava de a ver naquele vestido.
Sussurrou-lho numa troca de olhares.
Vestiu o vestido.
Fazia anos que não se adornava.
Com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos.
Vestiu o vestido.
Afinal, a noite chegara.
Ela ia encontrar-se com ele mais uma vez.
Nos sonhos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ela...

Soube-lhe a alma antes de lhe saber o nome.

domingo, 19 de junho de 2011

Íris.

E esses raios de sol em teus olhos bastam para alumiar as vielas escuras em mim e os caminhos que meus pés trilham para me levar de mim para outros lugares que só nós sentimos porque dentro de nós moram todos aqueles que ainda vamos ser enquanto um em sonhos e na poesia que ela irá ler pois aqui há-de ser espelho da mãe.