"Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo." Ludwig Wittgenstein
terça-feira, 26 de junho de 2012
Não ser.
Choras-me vezes sem conta essa tua condição de não seres.
Nem sombra num corpo que se perde na rua de outros, nem pó num porta-retratos perdido numa mesa-de-cabeceira do quarto de visitas, nem uma vaga memória nas memórias de alguém que quer apagá-las.
Dizes que não és.
Que ninguém sente saudades tuas quando acorda depois de não sonhar contigo, que ninguém te canta num poema que não escreve.
Que ninguém te quis e por ninguém te querer não és.
Que só se é se outro alguém for.
E se eu não quiser ser contigo?
O que não somos?
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