"Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo." Ludwig Wittgenstein
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
sábado, 1 de setembro de 2012
Um verde mágoa.
Quis dizer-lhe adeus.
O vestido era verde, como seus olhos.
Um verde mágoa.
Sabia que amanhã não o voltaria a olhar.
Que desde ontem não o enxergava por dentro.
Todos os hojes tinham sido deles.
Eles eram o amor que fazia ser o mundo.
Eram dia e noite.
Chão e céu.
Carne e alma.
Nasceram um para o outro.
Um do outro.
Um.
Quis dizer-lhe adeus.
Ele já tinha partido.
O vestido era verde, como seus olhos.
Um verde mágoa.
Sabia que amanhã não o voltaria a olhar.
Que desde ontem não o enxergava por dentro.
Todos os hojes tinham sido deles.
Eles eram o amor que fazia ser o mundo.
Eram dia e noite.
Chão e céu.
Carne e alma.
Nasceram um para o outro.
Um do outro.
Um.
Quis dizer-lhe adeus.
Ele já tinha partido.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Eternamente.
Mal te saiba o nome, meu coração será eternamente teu, disse.
E assim teve um nome para eternamente chorar.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Mas ela foi.
Quando foste ela foi contigo.
Tu não a levaste.
Mas ela foi.
Contigo.
Julgava ela que se fosse podia ficar.
Sentada num desses bancos.
Do jardim que são os teus olhos.
Tu não a levaste.
Ela ficou mais só.
Um quarto-crescente depois.
Já ela era outra.
Nuns olhos primavera que a levaram.
Tu não a levaste.
Mas ela foi.
Contigo.
Julgava ela que se fosse podia ficar.
Sentada num desses bancos.
Do jardim que são os teus olhos.
Tu não a levaste.
Ela ficou mais só.
Um quarto-crescente depois.
Já ela era outra.
Nuns olhos primavera que a levaram.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Sol.
Havia em ti uma esforçada vontade de me ver sentir a tua falta.
Sempre te disse que fazer falta era algo que se fazia por pouco tempo.
Não se pode fazer falta a vida inteira.
Como se faz amor.
Como se faz amor.
Quiseste-te baloiçado na minha entrega.
Eu dava-me. Inteira. Melhor.
A ti.
A ti.
Que nos pariste e mataste.
Na mesma noite.
Não mereces o meu amanhecer, disseste.
O teu sol fui eu, disse.
Eu dava-me. Inteira. Melhor.
A ti.
A ti.
Que nos pariste e mataste.
Na mesma noite.
Não mereces o meu amanhecer, disseste.
O teu sol fui eu, disse.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Ser ela mata.
Ela é hoje sozinha.
Ontem também o era.
Mas hoje diz ser mais.
Que hoje também mais dele.
Ela hoje vive a pão e água salgada nos olhos.
Como quem vive de outro jeito qualquer.
Ela vive assim.
Ela hoje está quieta, calada.
Diz que os passos que os outros dão ao afastar-se, bastam para a cansar.
E que as palavras de mentira nas suas bocas, a emudecem.
Ela hoje...
Ela hoje não quer ser ela.
Quer ser outra.
Que ser ela mata.
E ela quer-se nascida a cada nova madrugada.
Ontem também o era.
Mas hoje diz ser mais.
Que hoje também mais dele.
Ela hoje vive a pão e água salgada nos olhos.
Como quem vive de outro jeito qualquer.
Ela vive assim.
Ela hoje está quieta, calada.
Diz que os passos que os outros dão ao afastar-se, bastam para a cansar.
E que as palavras de mentira nas suas bocas, a emudecem.
Ela hoje...
Ela hoje não quer ser ela.
Quer ser outra.
Que ser ela mata.
E ela quer-se nascida a cada nova madrugada.
domingo, 19 de agosto de 2012
Sempre.
Até chorámos o passado que já podíamos ser.
Até fomos um, não sei se ontem, se sonho.
Até nos quisemos encontrar amanhã.
Até fomos palavra, verbo, palavras, verso.
Até sempre.
Até fomos um, não sei se ontem, se sonho.
Até nos quisemos encontrar amanhã.
Até fomos palavra, verbo, palavras, verso.
Até sempre.
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