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sábado, 1 de setembro de 2012

Um verde mágoa.

Quis dizer-lhe adeus.
O vestido era verde, como seus olhos.
Um verde mágoa.

Sabia que amanhã não o voltaria a olhar.
Que desde ontem não o enxergava por dentro.

Todos os hojes tinham sido deles.
Eles eram o amor que fazia ser o mundo.

Eram dia e noite.
Chão e céu.
Carne e alma.

Nasceram um para o outro.
Um do outro.
Um.

Quis dizer-lhe adeus.

Ele já tinha partido.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ser ela mata.

Ela é hoje sozinha.
Ontem também o era.
Mas hoje diz ser mais.
Que hoje também mais dele.

Ela hoje vive a pão e água salgada nos olhos.
Como quem vive de outro jeito qualquer.
Ela vive assim.

Ela hoje está quieta, calada.
Diz que os passos que os outros dão ao afastar-se, bastam para a cansar.
E que as palavras de mentira nas suas bocas, a emudecem.

Ela hoje...
Ela hoje não quer ser ela.
Quer ser outra.
Que ser ela mata.
E ela quer-se nascida a cada nova madrugada.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Sem título.

Já não te sei dizer de mim.
Esqueci-me de ser no entretanto do adeus.
Adeus antes do tempo.
Como os dos outros.
Fiz-me sobre nós.
Deixaste-nos ruir.
Do pó nada se ergue.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mensagem.

Sempre me levaram os teus braços, sempre me trouxeram.
Mas imenso se fez o mar da nossa história.
Náufragos, em nós nos perdemos.
De nós nos perdemos.

Nenhum outro amor se quis mar.

Imenso, só o nosso.

sábado, 10 de julho de 2010

As cartas.

Meu ontem,

Sinto-me feia. Deixei de encarar o espelho.
Estou velha. Gasta.
Sou pó do que fui. Sombra.
Os meus lábios já não cantam. O meu corpo já não dança. Os meus olhos enegreceram.

Creio até ter deixado de sonhar.

Meu hoje,

(...)

sábado, 12 de junho de 2010

Tropeção

Um dia talvez ele se aperceba que ela só manteve os olhos fechados porque quis que ele fosse sonho.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Diálogos

A ver os céus:

Olha olha, hoje não há estrelas.
Claro que há, tu é que não as vês.

O que acontece quando se deixa de ver as estrelas?
Não sei bem, mas sei que não é bom.
E se eu as pintar?
Não saberias.
E se eu sonhar com elas?
Não são tão belas nos sonhos.

Que faço agora? É que eu só as vejo em ti.

Agora beijas-me.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

É como se me tivessem arrancado o coração

Ser feliz depende de tanto.
É um trilho ainda pouco pisado e quase ninguém o percorre na totalidade.
Se calhar, aqueles que chegam ao fim da senda, descobrem algo tão maravilhoso que se sentem cobertos de um egoísmo tamanho que os leva a não partilhar a experiência com ninguém.


Posto isto, estou miseravelmente infeliz.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um Natal assim-assim

Desilusões,discussões e talvez um ponto final.
Poucos sorrisos, poucos risos e zero gargalhadas.
Com o desenrolar dos tempos acostumei-me ao mais ou menos em quase tudo na vida mas creio ser menina para bom e muito bom.
E desbravarei (também) os terrenos que me levem à excelência.
O amor é um suceder de tropeções, uns de rasgar os joelhos e cotovelos, outros de rasgar, para sempre, o coração, mas há-de haver sempre alguém que me levante do chão e me sare as bubas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Não assino por baixo

Uma rolha.
Um qualquer tipo de contenção.
Ainda estou verde para o social.
Não são só as meias, eu também ando às avessas.
Não devia ficar nervosa, mas fico.
Não devia ser trapalhona, mas sou.
Enerva-me esta minha tendência inata para o ridículo.
Esta minha predesposição para o falhanço.
Queria ser dona de mim.